Por que aumentar juros?
BRASÍLIA - Na véspera da reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom), o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), defendeu que o Banco Central não aumente a taxa
de juros, hoje a 13,75% . Para ele, seria uma insensatez
muito grande separar liquidez e política monetária.
Para ele, aumentar juros num momento de falta ausência
de crédito seria uma teoria "muito exótica".
- O mundo inteiro
está diminuindo os juros. Se alguma coisa fosse feita
de movimentar, seria de diminuir juros e não aumentar.
Mas que fique pelo menos como está. Se você tem crise
de liquidez, você vai aumentar juros? Isso não tem sentido
nenhum. É uma teoria muito exótica. Muita ignorância
em economia seria preciso para dizer que liquidez e
juros são questões separadas. Uma coisa está amarrada
na outra. Se falta liquidez, você não pode aumentar
juros, que isso vai agravar o problema da falta de liquidez
- disse Serra, para em seguida completar:
- Eu ouvi algumas
falas de gente que separa liquidez de política monetária.
Isso seria fazer uma nova economia. E no caso brasileiro
seria de uma insensatez muito grande.
Nesse momento de crise,
ele alertou que o governo deve ter o cuidado para evitar
a quebra de instituições financeiras e também para a
taxa de juros.
- Há duas coisas que
precisam ser evitadas. Uma, quebrar instituições financeiras
de peso. Segundo, aumentar juros. Seria despropósito
fazer isso nesse contexto - advertiu.
Afinado com o discurso
da oposição, ele defendeu a aprovação das medidas provisórias
encaminhadas pelo governo para amenizar os efeitos da
crise financeira internacional aqui no Brasil. Mas ressaltou
que elas devem ser aperfeiçoadas.
- Elas podem ser aperfeiçoadas.
Não sou capaz de dizer em que ponto porque não analisei
a fundo. Acho importante aperfeiçoar, votar e aprovar
logo. O Brasil hoje, temos que estar muito atentos com
essa questão da crise internacional. Ela é bastante
grave e tem repercussões no nosso país. Não se sabe
ainda extensão de tudo. Ninguém no mundo sabe direito
até onde as coisas vão chegar. Temos que ser precavido
nessa matéria e prestar muita atenção, inclusive, nas
coisas que acontecem aqui dentro.
Serra ainda defendeu
que o governo tenha responsabilidade com o aumento de
gastos.
- A expansão prevista de gastos correntes é muito alta.
Precisaria ter um crescimento na receita real de 9,5%
ao ano até 2012 para dar conta da expansão de gastos.
Essa questão fiscal é muito relevante. Tem que se fazer
uma política séria de austeridade fiscal - concluiu
o governador de São Paulo. |